O engenheiro Marcelo Regúnaga, coordenador geral do GPS, participou como palestrante principal do “Diálogo de Líderes” organizado em São Paulo, no dia 10 de março, pela CEAL-Brasil. Em sua apresentação, ele discutiu as novas políticas econômicas e agrícolas implementadas pelo presidente Milei e seu impacto no setor do agronegócio.
Nesse sentido, gostaria de enfatizar que a nova estratégia de desenvolvimento econômico do governo argentino baseará seu progresso na integração internacional de seus setores mais competitivos: agronegócio, energia, mineração, tecnologia da informação, entre outros. Para tanto, priorizou-se a criação de um ambiente econômico e financeiro favorável ao investimento, fundamentado na estabilidade de preços, equilíbrio fiscal, redução da dívida e aumento das reservas, redução dos gastos públicos, privatizações, desregulamentação e eliminação de restrições ao comércio exterior, reforma trabalhista e redução gradual da carga tributária. As negociações internacionais também foram priorizadas, resultando no Acordo Mercosul-UE e em um acordo bilateral de investimento e comércio com os Estados Unidos.
Essas reformas criaram expectativas e um ambiente favorável no setor agrícola argentino, o que começa a se refletir em um crescimento significativo das exportações, cujas proibições e cotas foram eliminadas, embora a pressão tributária tenha melhorado apenas parcialmente devido às restrições fiscais decorrentes da eliminação de impostos sobre exportações e comércio.

O engenheiro Regúnaga destacou que a nova estratégia de integração internacional enfrenta atualmente um cenário internacional complexo e altamente incerto, dominado pela geopolítica e pela perda de relevância das regras do quadro multilateral que regiam o comércio em meados do século XX. Nesse novo contexto, as cadeias de valor agroalimentares não são desenvolvidas como questões técnicas, mas como ativos econômicos e políticos estratégicos, de modo que a geopolítica complexa, a rivalidade entre as grandes potências e a fragmentação tecnológica e comercial emergem como novos desafios.
Neste contexto, o desenvolvimento de alianças entre empresas da região, a coordenação público-privada e a confiança são fatores críticos a serem considerados. O grande potencial produtivo do Cone Sul torna aconselhável a coordenação de uma estratégia regional para posicioná-lo como um ator-chave na geopolítica alimentar, visto que os países da região são atualmente os principais exportadores líquidos de alimentos e sua participação será ainda mais relevante no futuro para a segurança alimentar global. Em conclusão, foi enfatizado que possuímos ativos estratégicos que precisam ser fortalecidos por meio da cooperação regional; a CEAL e outras instituições da região, como o GPS, podem desempenhar um papel fundamental nesse sentido. A Cooperação UE-Sul e iniciativas similares oferecem oportunidades interessantes para isso.


