Buenos Aires, 26 de agosto de 2026
Marcelo Regúnaga fez uma apresentação em nome da GPS no seminário técnico "Diálogo Brasil-Argentina sobre Bioinsumos", organizado pela Embaixada do Brasil em Buenos Aires. O encontro reuniu especialistas de ambos os países para analisar o cenário geopolítico do comércio agrícola e o papel crescente dos bioinsumos na sustentabilidade do setor.

No painel dedicado ao contexto geopolítico e ao mercado de bioinsumos, Regúnaga apresentou "O cenário geopolítico e a evolução e posicionamento da agricultura no Cone Sul"Ele argumentou que a ordem internacional está passando de regras multilaterais para uma lógica de força e unilateralismo, em um contexto marcado por conflitos armados, problemas logísticos, ascensão de novos atores globais — particularmente na Ásia — e crescentes demandas climáticas e ambientais. Ele sustentou que essa desordem, longe de ser apenas uma ameaça, abre oportunidades concretas para os países produtivos do Cone Sul.
Ali, ele identificou três eixos centrais do novo cenário: o comércio internacional está cada vez mais complexo e dispendioso, mas as importações de alimentos e bioenergia continuam a crescer; a incerteza e as medidas unilaterais tornaram-se a norma nas relações comerciais; e as exigências dos consumidores — ambientais, de saúde, de qualidade e de certificação — continuam a aumentar. Para Regúnaga, cada um desses eixos representa tanto um desafio quanto uma oportunidade para a região.

Ele também analisou a evolução tecnológica da agricultura no Cone Sul — da mecanização e dos insumos em meados do século XX (Agro 2.0) ao plantio direto e à biotecnologia (Agro 3.0) — e observou que a região está entrando em uma nova fase (Agro 4.0), definida pela genética do solo e das plantas, pelo desenvolvimento de soluções biológicas para a captura de carbono, pelo big data, pela inteligência artificial e por novos mercados para ativos ambientais.
Utilizando dados da FAO e do Insper Agro Global, o relatório mostrou que Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai reduziram de forma constante as emissões de carbono por unidade de produção agrícola desde 1960, enquanto a região expandiu seu superávit comercial agrícola líquido, em contraste com a crescente dependência de importações de outras regiões do mundo. O relatório enfatizou que a agricultura é o único setor econômico capaz de capturar carbono de forma economicamente viável e que Argentina e Brasil possuem um potencial particularmente elevado nessa área.

Em suas considerações finais, Regúnaga enfatizou que o Cone Sul tem capacidade para se posicionar como uma solução global tanto para a segurança alimentar quanto para a transição energética, com base em modelos de intensificação sustentável. Ele também destacou o valor estratégico das parcerias público-privadas e da cooperação técnica e comercial — como a promovida pelo GPS e pela ABAG no Brasil — para consolidar essa posição no cenário internacional.
O evento, que decorreu das 9h às 14h, incluiu ainda a abertura institucional do encontro, uma apresentação sobre bioeconomia e integração regional, um painel sobre qualidade, regulamentação e inovação em bioinsumos com representantes do Brasil e da Província de Buenos Aires, e uma sessão de negócios com soluções brasileiras do setor (Koppert e Ekoa), encerrando com um almoço de confraternização.
A apresentação pode ser acessada abaixo: e entidades binacionais, entidades especializadas em comércio exterior e logística, e especialistas em regulamentações técnicas:


