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“Este ano, prevê-se um recorde de exportações”, afirmou um antigo Secretário da Agricultura a respeito da liquidação do setor agrícola.

O ex-secretário da Agricultura, Marcelo Regúnaga, comentou que "o acerto de contas em moeda estrangeira que estamos vendo não corresponde ao que seria planejado para um ano normal".

O agronegócio argentino liquidou US$ 2,677 bilhões em maio, segundo dados divulgados pela CIARA-CEC. Nesse contexto, esta publicação contatou o ex-secretário de Agricultura Marcelo Regúnaga, que afirmou que a análise deve levar em conta fatores extraordinários e o contexto internacional, marcado pela crescente incerteza geopolítica.

Segundo Marcelo Regúnaga, o setor caminha para uma temporada histórica. “Este ano, projetam-se exportações e produção recordes”, afirmou. Ele enfatizou que, “de acordo com a Câmara de Comércio de Rosário, 50,4 milhões de toneladas” já foram exportadas entre janeiro e maio, um volume que descreveu como recorde.

Impacto da eliminação da retenção na fonte sobre as liquidações cambiais

No entanto, ele esclareceu que as liquidações cambiais não refletem totalmente esse desempenho devido a decisões tomadas anteriormente. "As liquidações cambiais que estamos vendo não correspondem ao que seria projetado em um ano normal", observou. Ele explicou que "a decisão tomada no ano passado de eliminar temporariamente os impostos de exportação sobre o trigo" fez com que transações que normalmente seriam processadas em 2026 fossem antecipadas.

Ainda assim, Regúnaga enfatizou a importância da contribuição do complexo agroexportador: "Estamos prevendo cerca de 36 bilhões de dólares desse setor, o que é um valor muito importante."

Incerteza no setor agroexportador devido à situação global

Ele também argumentou que os mercados agrícolas não são mais determinados apenas pela oferta e demanda. "A geopolítica está começando a surgir como uma fonte de enorme incerteza", alertou.

De acordo com o entrevistado, o mercado atual é "tremendamente incerto", condicionado por decisões políticas, conflitos internacionais e problemas logísticos. Entre os fatores que causam preocupação, ele mencionou as tensões no Oriente Médio, o conflito comercial entre os Estados Unidos e a China e o impacto das políticas implementadas pelo presidente americano Donald Trump.

Em relação ao relacionamento entre os Estados Unidos e a China, ele observou que o Brasil foi um dos principais beneficiários. "Quem mais se beneficiou com todo esse conflito foram os brasileiros", afirmou, destacando que o país conseguiu consolidar suas vendas para o mercado chinês.

Veja o artigo original em Perfil (E).