{"id":3777,"date":"2021-12-09T16:10:02","date_gmt":"2021-12-09T19:10:02","guid":{"rendered":"http:\/\/grupogpps.org\/?p=3777"},"modified":"2021-12-09T16:10:02","modified_gmt":"2021-12-09T19:10:02","slug":"la-argentina-y-la-geopolitica-de-los-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grupogpps.org\/pt\/la-argentina-y-la-geopolitica-de-los-alimentos\/","title":{"rendered":"Argentina e a geopol\u00edtica da alimenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Marcelo Reg\u00fanaga, La Naci\u00f3n, 8 de dezembro de 2021<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo 21, e com maior \u00eanfase nos \u00faltimos anos, a agenda internacional registrou mudan\u00e7as nas prioridades das pol\u00edticas e nos mecanismos de governan\u00e7a para quest\u00f5es cr\u00edticas em n\u00edvel global. Nesse novo cen\u00e1rio, de maiores desafios para atender \u00e0 crescente demanda mundial por mais e melhores alimentos, dadas as restri\u00e7\u00f5es na disponibilidade e uso dos recursos naturais, e a necessidade de mitigar os impactos negativos sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas do atual modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico, o papel geopol\u00edtico dos sistemas alimentares emergiu com alta prioridade nos principais f\u00f3runs internacionais (Grupo dos Oito, G-20, C\u00fapula das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Sistemas Alimentares, Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima). A import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do setor agroalimentar foi classificada em todo o mundo e os pa\u00edses est\u00e3o revendo suas pol\u00edticas a esse respeito.<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel global, \u00e9 necess\u00e1rio produzir mais alimentos, saud\u00e1veis e nutritivos, com menos recursos e de forma mais amiga do ambiente. \u00c9 um desafio importante que imp\u00f5e a necessidade de revisar as estrat\u00e9gias produtivas e as prioridades das pol\u00edticas nos diferentes pa\u00edses. Muitas regi\u00f5es do mundo deterioraram seus recursos naturais com sistemas de produ\u00e7\u00e3o muito intensivos, que utilizam altas doses de energias f\u00f3sseis (combust\u00edveis, fertilizantes, etc.) que t\u00eam impactos negativos no aquecimento global, al\u00e9m do esgotamento e perdas da capacidade produtiva de seus recursos naturais (\u00e1gua e solo) e perdas de biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o atual difere substancialmente entre os diferentes pa\u00edses e regi\u00f5es, portanto as necessidades e urg\u00eancias nos processos de transforma\u00e7\u00e3o dos sistemas alimentares exigidos tamb\u00e9m s\u00e3o diferentes. Isso foi reconhecido na recente C\u00fapula das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Sistemas Alimentares, realizada em Nova York, a partir das valiosas e coordenadas contribui\u00e7\u00f5es dos Ministros da Agricultura das Am\u00e9ricas, entre as quais a ativa participa\u00e7\u00e3o da Ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, os sistemas de produ\u00e7\u00e3o muito intensivos da Europa e da \u00c1sia devem iniciar urgentemente um processo de transforma\u00e7\u00f5es importantes, para evoluir para sistemas mais sustent\u00e1veis e com menos impactos ambientais, semelhante ao processo cont\u00ednuo de melhoria da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola iniciado na Argentina h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, que hoje nos permite ter uma situa\u00e7\u00e3o muito melhor do que esses pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dos problemas de eros\u00e3o e perda de fertilidade dos solos da regi\u00e3o dos Pampas registrados at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1980, devido ao uso de sistemas convencionais de produ\u00e7\u00e3o, com equipamentos de lavoura semelhantes aos usados atualmente na Europa, os produtores argentinos iniciaram um processo de transforma\u00e7\u00f5es graduais a partir do in\u00edcio dos anos 90, que come\u00e7aram com a semeadura direta, ativamente promovida pela Aapresid (Associa\u00e7\u00e3o Argentina de Produtores de Semeadura Direta) e que rapidamente se estendeu a quase toda a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os da Argentina, sem diferencia\u00e7\u00e3o de tamanhos ou localiza\u00e7\u00e3o dos produtores . A semeadura direta reduz drasticamente o preparo do solo, o que permite reduzir significativamente o uso de combust\u00edveis e, consequentemente, as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa; mas ao mesmo tempo, ao n\u00e3o destruir o solo como o cultivo convencional, contribui para reconstituir a estrutura e a microbiologia do solo, reduzindo assim as quantidades de fertilizantes a serem incorporadas ao solo e conseguindo um uso muito mais eficiente da \u00e1gua da chuva., obtendo na Argentina altas safras sem a necessidade de irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de melhoria cont\u00ednua incorporou gradativamente nos \u00faltimos 30 anos um conjunto de inova\u00e7\u00f5es que permitem afirmar que a agricultura argentina \u00e9 uma das mais sustent\u00e1veis e ecologicamente corretas de todo o planeta; Isso foi reconhecido por especialistas de organiza\u00e7\u00f5es internacionais, por exemplo, a FAO. Essas inova\u00e7\u00f5es incluem o uso massivo de sementes transg\u00eanicas com resist\u00eancia a insetos e outras pragas, que permitem o controle biol\u00f3gico de pragas e, assim, reduzem o uso de agroqu\u00edmicos, usam agroqu\u00edmicos com baixo n\u00edvel de toxicidade (faixa verde) e caminham para uma agricultura mais biol\u00f3gica e com menos impactos ambientais. O uso de rota\u00e7\u00f5es e a recente incorpora\u00e7\u00e3o de plantas de cobertura tamb\u00e9m melhoram o uso da \u00e1gua e do solo. A isso se soma na \u00faltima d\u00e9cada o uso cada vez mais difundido da agricultura de precis\u00e3o, que permite um uso muito mais eficiente de sementes, fertilizantes e das diferentes qualidades dos solos. \u00c9 um processo de melhoria cont\u00ednua rumo a uma agricultura produtiva, por\u00e9m mais biol\u00f3gica e com menores impactos ambientais por unidade produzida, o que costuma ser denominado de \u201cintensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de carne na Argentina e no Mercosul tamb\u00e9m possui caracter\u00edsticas distintas, que a diferenciam substancialmente dos sistemas intensivos da Europa e de outras regi\u00f5es do mundo. A produ\u00e7\u00e3o no campo com pastagens e em algumas \u00e1reas a pecu\u00e1ria silvo-pastoril, ambas sem irriga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 emite menos gases de efeito estufa por unidade produzida, como tamb\u00e9m os captura, melhorando substancialmente os balan\u00e7os de carbono. Em muitos casos, os saldos s\u00e3o neutros em carbono ou at\u00e9 melhores, o que significa que podem ser usados em negocia\u00e7\u00f5es internacionais para compensar as emiss\u00f5es de outros setores, como energia ou transporte.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambos os casos, o setor agropecu\u00e1rio argentino \u00e9 motivo de orgulho para o pa\u00eds, pois desde cedo incorporou os desafios de transforma\u00e7\u00f5es para sistemas sustent\u00e1veis e ecologicamente corretos, propostos somente em 2021 na C\u00fapula das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Sistemas Alimentares; e isso pode servir de exemplo para as transforma\u00e7\u00f5es que s\u00e3o exigidas em outros pa\u00edses. Na verdade, essas inova\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 permitem a exporta\u00e7\u00e3o de alimentos mais saud\u00e1veis e de baixa pegada ambiental para o resto do mundo, que constituem um componente estrat\u00e9gico para o crescimento de toda a economia nacional, como tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o permitindo a exporta\u00e7\u00e3o destes. tecnologias e equipamentos de maquin\u00e1rios para pa\u00edses da Europa e \u00c1frica, com alto valor agregado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um grave erro n\u00e3o levar em conta essas circunst\u00e2ncias nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais em diferentes f\u00f3runs (G-20, COP, etc.), utilizando m\u00e9tricas geradas em pa\u00edses desenvolvidos para sistemas de produ\u00e7\u00e3o completamente diferentes dos nossos. A influ\u00eancia cultural desses pa\u00edses e de algumas ONGs sem bases cient\u00edficas na realidade local pode levar a graves erros estrat\u00e9gicos para um pa\u00eds como a Argentina, afetando o poder geopol\u00edtico proporcionado por sua enorme capacidade produtiva com sistemas sustent\u00e1veis e ecologicamente corretos. O potencial para avan\u00e7ar nesse processo de lideran\u00e7a mundial no setor de alimentos \u00e9 muito grande, se pol\u00edticas de apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o internacional forem implementadas na Argentina semelhantes \u00e0s aplicadas pelos pa\u00edses vizinhos do Mercosul e em geral nas Am\u00e9ricas., Que est\u00e3o permitindo isso. uma posi\u00e7\u00e3o muito boa no contexto mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coordenador do GPS na Argentina, membro consultor do CARI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/www.lanacion.com.ar\/opinion\/la-argentina-y-la-geopolitica-de-los-alimentos-nid08122021\/?utm_source=n_&amp;utm_medium=nl_columnistas&amp;utm_campaign=nota_titulo_2\" style=\"border-radius:15px\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">V\u00e1 para o artigo no La Naci\u00f3n<\/a><\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Reg\u00fanaga, La Naci\u00f3n, 8 de diciembre de 2021 En el siglo XXI, y con mayor \u00e9nfasis en los \u00faltimos a\u00f1os, la agenda internacional ha registrado cambios en las prioridades de las pol\u00edticas y los mecanismos de gobernanza de los temas cr\u00edticos a nivel global. 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