Em março de 2026, o engenheiro Marcelo Regúnaga (Coordenador Geral do GPS) participou da 1ª reunião do Conselho Estratégico de Alto Nível da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), liderada pelo GPS no Brasil, da qual participaram ex-ministros, embaixadores, legisladores do agronegócio, diretores de associações empresariais brasileiras e o presidente da EMBRAPA.
Ao analisar o cenário internacional, destacou-se que a estrutura das instituições multilaterais e as regras acordadas no século passado sofreram mudanças substanciais. Trata-se de uma mudança estrutural desprovida de ética internacional, e não há como reverter essa situação em um futuro próximo. Hoje, as relações políticas e a segurança emergiram como fatores prioritários, impulsionados por poucos países.
Isso se reflete em um ambiente comercial altamente imprevisível, que acarreta maiores riscos e custos mais elevados (operacionais, de diversificação e de hedge), tornando a competitividade e o posicionamento da produção regional cada vez mais necessários como parte da solução para a segurança alimentar global. Para tanto, destaca-se a importância estratégica da sustentabilidade, da saúde e segurança ambiental, da qualidade e das certificações. Observa-se uma mudança no posicionamento da agricultura, do econômico para o estratégico, e a geopolítica da alimentação e da bioenergia emerge como fator-chave.

Observou-se também que a produção agrícola é essencialmente uma fábrica a céu aberto, fortemente impactada pelas mudanças climáticas, o que leva ao aumento dos riscos produtivos e logísticos. A região carece de sistemas robustos de gestão de riscos, o que representa um desafio crescente, assim como a necessidade de inovação que considere a sustentabilidade e a resiliência. Isso impõe novos desafios para a EMBRAPA e o SEBRAE no Brasil, e para o INTA na Argentina, ressaltando a importância de uma maior colaboração público-privada.
Diante desse cenário, enfatizou-se a alta prioridade de desenvolver uma estratégia de comunicação para o posicionamento internacional, destacando o papel do MERCOSUL na segurança alimentar global. Isso requer a construção de uma narrativa com sólida base científica sobre o papel estratégico da região na segurança alimentar global e na bioenergia. Em um contexto no qual a geopolítica alimentar emerge como prioridade, a região deve ser destacada por sua abundante disponibilidade de água renovável e solos férteis, bem como por sua potencial contribuição para a segurança alimentar e a transição energética.
Além disso, considerando o declínio do multilateralismo e a relevância reduzida da Organização Mundial do Comércio (OMC), foi proposta uma estratégia de pragmatismo tático para as negociações comerciais: promover o plurilateralismo, apoiado em parte pelas regras da OMC, ou, alternativamente, o bilateralismo. Enfatizou-se a necessidade de ambição e proatividade para diversificar mercados e produtos diante da incerteza. As parcerias público-privadas em níveis regionais e birregionais são de grande importância para o desenvolvimento de cadeias agroindustriais voltadas para a exportação mais competitivas na região. O acordo MERCOSUL-UE e acordos similares oferecem oportunidades promissoras nesse sentido.


