O ex-secretário de Agricultura da Nação analisou no Canal Rural o impacto da desregulamentação, o cenário internacional e os desafios iminentes para o complexo agroindustrial, com foco em impostos de exportação, taxas de juros e infraestrutura.
Marcelo Regúnaga afirmou que o ano foi "bastante favorável para muitas atividades agrícolas", com um saldo claramente positivo para a pecuária e um desempenho aceitável para a agricultura, apesar de um contexto internacional de preços mais apertados.
Em relação à pecuária, ele enfatizou que o ambiente internacional era muito favorável e que a Argentina apresentava baixos níveis de estoque, o que fortalecia os preços internos e as perspectivas futuras. "A perspectiva para as atividades pecuárias, especialmente de gado bovino, era muito boa e continuará sendo, porque os preços internos estão bons e porque os impostos de exportação foram eliminados", explicou.
Em relação à agricultura, Regúnaga observou que os preços internacionais estavam relativamente baixos, embora o clima tenha compensado essa situação. “Com exceção dos produtores afetados por inundações ou casos isolados, foram observadas safras muito boas, o que permitiu um ano positivo para grande parte da região dos Pampas”, afirmou.
O ex-funcionário elogiou os sinais do governo em relação à desregulamentação e à previsibilidade. "As mensagens do Presidente e do Ministro da Economia demonstraram interesse em reduzir a carga tributária e as taxas de exportação, o que criou um ambiente mais favorável à produção e às exportações", afirmou. No entanto, alertou que ainda falta um plano de longo prazo.
"Gostaria de um programa claro para eliminar a retenção de impostos na fonte e maior certeza sobre como a carga tributária será reduzida."
Olhando para 2026, ele acredita que o setor começará em uma posição melhor, com menos dívidas, embora tenha alertado sobre os custos financeiros. “As taxas de juros permaneceram extremamente altas, e isso é um problema, especialmente para os pequenos produtores. O custo do capital na Argentina ainda é muito alto”, enfatizou.
Regúnaga também enfatizou a necessidade de reduzir o chamado “custo argentino”. Nesse sentido, destacou a infraestrutura como uma questão crítica: “A infraestrutura gera custos e ineficiências extremamente elevados. Acelerar as privatizações e resolver problemas como a Hidrovia Paraná-Paraguai seriam fundamentais para reduzir os custos sem que o Estado precise investir diretamente”.
Além disso, ele enfatizou a importância de agregar valor e diferenciar os produtos, e reconheceu o progresso no trabalho conjunto entre o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Agricultura para o acesso ao mercado, embora tenha esclarecido que esses resultados não são imediatos.
Por fim, ao se referir à pressão tributária subnacional, ele afirmou que o grande desafio envolvia uma reforma tributária coordenada.
“É essencial retomar a redução de impostos distorcivos, como o Imposto de Renda Bruto, e trabalhar intensamente com os governadores. Sem esse acordo, é difícil evitar o comprometimento dos esforços fiscais do governo federal”, concluiu.
A entrevista completa está disponível no Canal Rural Noticias:
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